sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Vai entender

Área de fumantes do prédio, uma tarde quente e cinza em Porto Alegre. Eu metido a invasor com uma aguinha na mão nessa lugar que não me pertence, apenas pra fazer uma pausa com amigos.

De repente um cara joga o toco do cigarro numa das plantas que enfeitam o local, que ajudam a tirar o cinza do ambiente. Tem três cinzeiros imensos a dois metros dele.

Isso é como entrar no banheiro, levantar a tampa do vaso e cagar na pia. Pra quê?

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Tem que levar presente?

Frequentemente quando tenho um aniversário, um churrasco, uma janta ou outra socialização com amigos, me deparo com a pergunta: precisa levar presente?
Aí comecei a analisar mais a fundo a questão e percebi que esse questionamento quase sempre vem quando há a presença de mulheres na ocasião.
Talvez eu seja simplesmente pão duro, mas o fato é que homens e mulheres pensam diferente sobre as obrigações implícitas e explícitas ao presentear alguém, em diferentes circunstâncias.

Homens não compram presentes pela reação do amigo, homens são práticos. Você jamais vai ver um homem não gay passar em frente a uma vitrine e pensar “isso é perfeito pro fulano, quero só ver a cara dele ao abrir”. Homens compram presentes porque eles vão ser úteis para algumas coisa. Por isso, tudo que eles levam para um evento que não está grudado ao corpo é presente. A cerveja no churrasco é presente (e presente repetido tá valendo muito), o vinho na janta com um casal de amigos é presente, às vezes o simples comparecimento ao local é um presente.

Já as mulheres compram presentes pelas reações, pela emoção, pelo momento. É por isso que para elas existem categorias de presentes: tem o presente formal, aquele comprado para casamentos, natal e outras datas especiais. Mas tem também a categoria lembrancinha, também conhecida por “coisinha”, que é um presente apenas para lembrar o momento. É a velha máxima: isso não é um presente, é só uma “coisinha”. Pois bem, é aqui que reside toda a incerteza humana na hora presentear alguém. Essa categoria torna qualquer segundo do dia um potencial momento para se dar um presente. Por isso existe a cilada dos aniversários de 3 meses e 21 dias de namoro, a jantinha na sogra e uma variedade de chás disso e daquilo.

Por isso, pra saber se precisa levar presente, mais importante do que a ocasião, é preciso responder a simples pergunta:
1. O presente é para um homem ou mulher?
Se for para um homem, basta levar umas cervejas ou uns copos de cerveja, dar um forte abraço e tá feito.
Se for para uma mulher, comece desde já a considerar o estilo, a ocasião, a hora, faixas de preço, quem vai e qual o estilo de quem vai, afinal, você não quer dar um presente repetido. Com fé e algum esforço, talvez você acerte.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Sobre noivos e suicidas

Tenho certeza que muita gente já se perguntou por que as autoridades dedicam tanto tempo tentando convencer um suicida em potencial a não se matar. Talvez nessa palavra 'potencial' esteja uma das razões, a pessoa ainda não se matou. Há quem diga que quando um suicida anuncia sua morte ameaçando pular de um prédio ou uma ponte, na verdade ainda está indeciso. Uma teoria diz que quem está realmente decidido não chama atencão, simplesmente se mata e dias depois a polícia ou um vizinho alertado pelo mau cheiro acaba descobrindo.

Da mesma forma, noivar é um aviso à sociedade da sua intenção de casar. Aí eu me pergunto, por que alguém avisa a sua intenção de casar? Basta pedir em casamento, marcar a data, convidar as pessoas e casar. Pronto.

Aí reside a relação entre noivos e suicidas. Quem está noivando, por mais que pareça demonstrar sua intenção à sociedade, na verdade demonstra uma grande incerteza. Noivar é um pedido de ajuda, como o suicida que avisa que vai pular da cobertura.

Mas a sociedade não é sensível a nenhum dos dois casos. Em ambas situações o povo fica lá em baixo gritando: "pula, pula"!

terça-feira, 27 de abril de 2010

A revolta da terceira idade

É senso comum que vivemos num país que não respeita os idosos e está pouco preparado para atender as suas necessidades especiais. Até porque vivemos num país jovem, competitivo e desiqual que, por consequência, coloca os mais novos em posição de competição com os mais velhos.
Eu não sei o que é ser idoso e sei que um dia passarei por todas s limitações da idade. Por outro lado, também passo pelas limitações de ser jovem. Porque leis protegem crianças pequenas, gestantes e pessoas acima de 60 anos. Digamos então que, dos 7 aos 60 anos ficamos em uma faixa em que o sistema não facilita em nada a nossa vida também.
Casualmente nas últimas semanas observei com certa insistência as filas de atendimento preferencial em função de compras no supermercado, livraria, banco e vacina da gripe H1N1. E é impressionante como os velhinhos tem um certo prazer sádico em ver um jovem se dar mal.
Entrei numa fila de atendimento preferencial por engano numa livraria, porque a placa estava virada para o lado oposto da fila. Não levou 30 segundos para ser expulso da fila por duas senhoras. No que disse "Sem problema senhoras, vou trocar de fila, mas quero lembrar que atendimento preferencial não é exclusivo, é como a palavra diz: preferencial".
Pronto, mesmo na fila ao lado podia ouvir o diálogo sobre como os jovens hoje em dia não respeitam nada.
Ouço muito a frase "Um dia você vai chegar lá", na verdade um dia o Brasil inteiro vai, em 20 anos seremos um país de idosos. Mas quem é idoso podia pensar o contrário também "Um dia você já foi jovem" e não colocar toda a farinha no mesmo saco.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Sistema de Engorda

O sistema social não é pró-saúde. Não apenas as cantinas de escolas oferecem opções fáceis de lanches e fastgorduras, como os restaurantes também.
O exemplo mais banal que eu encontro é o suco. Como pode um refrigerante ser mais barato que um copo de suco? Como pode uma garrafa que passa por todo um processo químico e uma mistura de elementos em série ser mais barata que um cara que pega três laranjas e espreme ali na hora.
Isso é um imenso incentivo a comer mal.

E agora, pra completar, até as balanças de supermercado conspiram contra a boa alimentação. Fui comprar um lanchinho pra de tarde e queria um croissant. Isso mesmo, apenas 1 croissant.
Mas na minha frente, um senhor levou 3 minutos subindo no balcão pra escolher individualmente seus 2 croissants, para manter seu corpinho de "bailarino espanhol" como ele mesmo disse à atendente.
Depois, um marombado pediu uns 30 croissants de sabores variados, entre eles ricota, goiaba, chocolate e tradicional.
E eu, que só queria 1, quando chegou minha vez, acabou a fita de impressão da balança e levaria 15 minutos pra trocar. Tive que optar por um lanche pronto depois da saga do croissant.
O universo conspira contra as dietas e a alimentação saudável.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Anas

O nome delas é Ana.
Uma é aquela que vive deste lado do espelho.
A outra apenas a reflete.
Mas são duas Anas.
E aquela dentro do espelho não é a mesa de fora.
Sua vida é repetir eternamente cada detalhe da outra, só que de forma oposta.
E tão pouco de real pode dizer sobre aquela Ana que todos os dias se contempla e se detesta.
E mesmo assim, uma afeta a vida da outra, o humor, a autoestima.
Sem jamais conversar, sem jamais se tocar.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Virilidade torrada e moída

Cientistas americanos realizaram recentemente um estudo que afirma que o café reduz a probabilidade de câncer de próstata. O apresentador da Globo que noticiou o fato comentou: "Boa notícia para quem gosta de café!"

Cara, sério, boa notícia pra quem não quer ficar brocha!!!
É muito mais fácil um cara que não toma café passar a gostar depois disso do que um apreciador nato passar a tomar café em baldes achando que é Viagra.

Já to vendo a cena, o médico proctologista tirando a luva de borracha depois do exame e perguntando pro paciente: "Aceita um cafezinho?"