sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Maldito Murphy

O despertador toca, eu deito sobre, abafo.
Dispara a quinta soneca e junto o desespero de estar acordando atrasado.
Engulo seco um pedaço de pão dormido e tomo uns goles d'água, deixo pra usar a escova de dentes do trabalho. Mas fácil perder tempo lá mas ser visto.

Ligo o carro, pego a perimetral. Aquela avenida na qual quem está de carro tem a impressão de que para de cem em cem metros numa sinaleira. E quem está a pé acha que não consegue atravessá-la nunca.

Um sinal verde desponta a minha frente. Pressinto o azar e já antecipo aquela pisada a mais no acelerador. Um pedestre sozinho domina a calçada às 8h da manhã, se aproxima do poste e aperta aquele botãozinho maldito da sinaleira de pedestres. Instantaneamente o sinal muda para o amarelo e não consigo passar. Mais alguns minutos de atraso na minha reunião.

Pela primeira vez na história aquele botão funcionou pra alguém. Porque quando estou a pé não serve pra nada, mas quando estou de carro funciona contra.

E eu que achava que esses botões eram o maior reallity show global, no qual os produtores filmam furtivamente a nossa falta de paciência e riem da crença de que aquilo realmente serve pra alguma coisa.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Fio Terra "A Fronteira Final"

O fio terra é o último tabu masculino. Até a homossexualidade já foi superada, hoje é uma coisa normal, uma opção de cada um. Isso acontece porque se você leva um dedo na bunda, ninguém sabe dizer o quanto deteriora sua masculinidade, se é veado ou não a pergunta fica no ar. Já se levar um pau no rabo, é veado, pronto! Isso ninguém discute.

A prima de uma amiga teve sua reputação atingida no colégio porque um carinha que ela fcou estava mentindo e espalhando ter comido ela. Aí eu disse "Bom, o estrago está feito, virgindade não é mais tabu pra ninguém, o melhor que você pode fazer é admitir e espalhar também que ele pediu um fio terra!" Vai acabar com a reputação dele.

Nunca levei um fio terra, não sei o que é isso, nem se ia curtir. Mas se fosse um pré-requisito pra comer uma gostosa, tenho certeza que muita gente iria pensar duas vezes.

Imagina, a partir dos 40 você vai pagar para um homem enfiar o dedo no seu cu todo ano e não vai comer ninguém em troca!

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

10 motivos "fúteis" para pedir demissão

1. Tenho medo do cara do RH.
2. O ar condicionado é muito quente.
3. Minha atividade intelectual não comporta trocar a água.
4. O banheiro não tem revistas.
5. Toda hora tem alguém tentando vender docinho ou sanduíche.
6. O chefe usa calça enfiada na bunda.
7. Precisa ter acima de 100 quilos pra ser socialmente aceito.
8. O motoboy se recusa a trabalhar com chuva.
9. Vivem roubando meus Toddynhos da geladeira.
10. Tem um cara que acha a Regina Cazé gostosa.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Novas expressões

Em épocas de novo acordo ortográfico em que a linguiça perdeu o trema e novas leis criam termos socialmente responsáveis nos quais um anão vira um “verticalmente desfavorecido”, cansei dessa papagaiada dita nas reuniões de trabalho. Sugiro trocarmos algumas expressões para enriquecermos a língua portuguesa:

• O fiel da balança (por) O honesto do quilograma.
• Na rua da amargura (por) No caminho público do azedume.
• Resumo da ópera (por) No compêndio da peça lírica.
• Trocando em miúdos (por) Substituindo em vísceras de frango.
• Dar nome aos bois (por) Nominando os Charoleses.
• Ter uma carta na manga (por) Estar de posse de um envelope numa deliciosa fruta.

E por aí vai.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Um simples ato complicado

Esses dias ao me deparar com uma campanha para doação de sangue, resolvi pesquisar um pouco mais sobre o assunto num site.
Longe de querer fazer apologia contra a doação, mas gostaria de saber qual o percentual de pessoas que não passam pela triagem.
Parece um ato tão simples para salvar vidas, mas é mais cheio de restrições do que imaginava.
Não é possível que todo estoque de sangue do mundo seja proveniente dos conventos das freiras celibatárias vegetarianas dos montes urais.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

A crônica do briefing natimorto

Havia um cliente com um grande sonho de engravidar. Sem muito dinheiro para recorrer a uma clínica de primeiro nível, encontrou depois de algum tempo um parceiro disposto a realizar seus desejos.
Ele prometeu fidelidade e mais um monte de coisas que só se diz a quem se conhece de longa data. Foram noites adentro de muito suor tentando manter a ereção à base de Nescafé.
E a cada ciclo se esperava ansiosamente a notícia. E o sonho começou a se tornar distante. Internamente, boatos sobre a infertilidade do parceiro tomavam forma e já se discutia sua relevância na relação.
Naquele cenário de incerteza a ansiedade começou a falar mais alto. E as cobranças começaram. A cada atraso na menstruação o cliente já solicitava nomes para a criança.
- Mas é menino ou menina?
- Não sei ainda se é gravidez, mas já vamos pensando em possibilidades.
O parceiro de prontidão já elaborava uma lista enorme. E aproveitando já começava a orçar o enxoval todo, escolhia as cores do quarto, do berço, das roupinhas.
- Calma, não tenho dinheiro pra tudo isso!
- Então a gente coloca o berço ao lado da cama até ter certeza, não tem problema!
Ufa, era apena a tireóide desregulada, nada de gravidez. Parece que o cliente resolveu comprar um cachorro!

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Quando todo dia é segunda-feira!

Sonhos são bizarros. Tem gente que sonha coisas concretas, tem gente que sonha devaneios, tem gente que sonha desejos.
Mas a pior coisa é sonhar com o trabalho. Porque quando o sonho acaba, o trabalho está recém começando. Você tem a sensação de estar aprisionado no “Dia da Marmota”.
Esses dias sonhei que estava fazendo quarenta anos de idade no emprego (tenho 29). Não sei o que era pior: estar fazendo 40 anos ou estar fazendo 40 anos na mesma empresa, com as mesmas pessoas, as mesmas paredes e quadros e, incrível, o mesmo vale-presente que sempre dão de aniversário.
Acordei deprimido. E ainda tinha uma segunda-feira inteira pela frente.