terça-feira, 21 de agosto de 2007

O dono da bola!

Tive um amigo no colégio que durante um bom tempo era conhecido como o dono da bola. Isso porque nos recreios era ele quem trazia a bola de futebol de casa para a gente se divertir. O dono da bola tem um grande status entre um grupo de crianças cuja maior preocupação até uma certa idade é o desempenho futebolístico. Ele tem o direito de burlar as regras.

No meu colégio, o dono da bola sempre escolhia os melhores jogadores. Não soltava a pelota debaixo do braço até que as equipes estivessem definidas. A partida começava com a saída para o seu time, é claro.

Mas o pior era que ele não conhecia as regras do jogo, ou se conhecia, não se importava nem um pouco. Se havia uma desavença ou inferioridade no placar, na primeira oportunidade declarava pênalti para seu time. E quando me refiro a oportunidade, é qualquer uma mesmo. Falta no meio de campo? Pênalti! Reclamou do lateral? Pênalti!! Demorou pra cobrar o escanteio? Pênalti!!!

E coitado de quem resolvesse ir contra o dono da bola. Corria o risco de ser o responsável pelo término prematuro da partida. Porque era assim mesmo, quando se sentia incomodado ou pressionado demais, simplesmente declarava "a bola é minha" e encerrava o jogo. E o mais engraçado é que os outros colegas respeitavam a decisão e não se importavam com as demais bizarrices, culpando aquele que se opunha ao dono da bola.

Em todo lugar tem um dono da bola. Aquele que exige ser respeitado pelo poder que tem ou pelo seu status. Pessoas que são respeitadas não pelo que são, mas pela posição que ocupam. E fazem uso da pressão sobre as pessoas que não podem ficar sem jogar e precisam se sujeitar a regras absurdas. Exigem dedicação e obediência incondicionais, mesmo quando a bola é velha, a quadra esburacada e a tática ultrapassada. Mas, enfim, com tantas pessoas sem jogar por aí, o medo do banco de reservas é uma realidade constante.

Quando criança fui dono da bola algumas vezes. Hoje não mais. Mas curiosamente nunca fiz uso desse status pra me aproveitar da situação. De repente a bola fura, murcha, e todo mundo fica sem jogar, mas o prejuízo é maior para o dono. Eu sempre preferi fazer uma “vaquinha“ e dividir a bola com todos, assim cada pessoa se sente um pouco dono e responsável pelo bom andamento da partida.

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

"O ócio enobrece o homem!"

Marx disse certa vez que o trabalho enobrece o homem. Bullshit!
Em primeiro lugar, como respeitar um cidadão que escreveu uma teoria sobre as relações de trabalho, mas nunca trabalhou, era um boêmio que vivia de favores dos amigos.
Então, se existe algum valor na teoria Marxista é o fato de ter sido escrita num estado de ócio pelo autor.
Porque na verdade o ócio enobrece o homem.
É o que fazemos com o nosso tempo livre que nos deixa mais felizes, é para poder curtir o tempo livre que trabalhamos. Não trabalhamos para ter mais trabalho. É no tempo livre é que adquirimos a cultura e o conhecimento capaz de fazer a diferença no trabalho. No trabalho aprendemos a mecânica, mas é fora dele que absorvemos o que estimula a nossa criatividade para inovar.

Nossa sociedade cultua workaholics e ensina que “Deus ajuda quem cedo madruga”. Bullshit again!
Tem milhões de pessoas que trabalham de sol a sol e vão sempre ser uns coitados, acreditando que um dia serão recompensados por trabalhar duro a vida inteira. Pois bem: trabalhar muito não quer dizer trabalhar bem! A prova disso são as madrugadas em que 5 horas não rendem como 1 hora quando se está descansado.

Tem gente que se esforça pra tornar o trabalho menos divertido e cada vez mais burocrático, quando na verdade deveria torná-lo mais parecido com o tempo livre.