sábado, 31 de maio de 2008

Reconfortado por um toalheiro elétrico

O inverno sempre me faz lembrar mais da infância. Acho que a necessidades de calor aproxima mais as pessoas, faz a gente buscar mais companhia, dividir momentos. Nem que seja uma xícara de café em que o propósito nem é o café em si, mas ficar ali com as mãos grudadas naquela xícara quente ao lado de amigos ou família.

Uma das coisas mais marcantes do inverno na minha infância era quando minha mãe retirava as toalhas de banho da secadora de roupas e me abraçava com elas. Quentinhas!
Se o abraço de mãe já tem o seu calor, imagine potencializado por toalhas quentinhas, cheirosas e amaciadas por comfort.

Mas agora tem um toalheiro elétrico no banheiro. Toalhas quentinhas e secas na hora do banho ou a qualquer hora do dia. É como se a mãe estivesse pendurada ali na parede o dia todo. É a tecnologia reconfortando a gente, ajudando a matar a saudade da família.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

O homem do colete em patchwork

Ele adorava retalhos, onde pudesse costurar um pedaço de pano ou emendar pedaços de tecido, plástico, vinil ou palha, lá estava. Desde criança, era fissurado nas joelheiras de couro que sua mãe colocava nos uniformes do colégio. Não resistiu quando viu sua avó criar um tapete para o chão do banheiro com tiras de saquinhos de leite coloridos e aderiu na hora à mania; e o advento das caixinhas Tetra Pak foi seu primeiro momento de depressão.

Adorava as aulas de educação artística quando tinha que montar mosaicos com picotes de papel que recortava das revistas Manchete que trazia de casa e colava com Plasticor numa folha de papel Canson.

Era muito caseiro, raramente saía de casa para se divertir com os amigos, a não ser nas festas juninas, o momento preferido do ano porque podia vestir-se de caipira com pedaços de feltro costurados no paletó de veludo e sentir-se normal assim. Seu filme preferido era Colcha de Retalhos e o artista preferido Picasso, obviamente em sua fase cubista.

Aos quinze anos já usava coletes em estilo patchwork, que o acompanharam até a vida adulta, mesmo trabalhando num segmento de mercado descolado, onde outrora sua falta de estilo passou despercebida sob o falso rótulo de moda retro. Cabelos sempre desgrenhados, de vez em quando uma gravata amassada compunha o look, acompanhado de um blazer alguns números maior que parecia retirado do figurino de um clipe do Lionel Richie.

Faz tempo que não o vejo, desde que deixou de ser um colega de trabalho. Um dia ouvi alguém comentar que largou a profissão de origem e agora toca bongô num “conjunto” de sessentões, animando casamentos e bailes da saudade. Mas está feliz e com saúde, isso é o que importa diz sua tia-avó, e continua sendo o orgulho da mamãe.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Vices

No Brasil, ninguém dá valor pros vices.
Vice-campeões de qualquer torneio em qualquer modalidade esportiva não existem.
Ninguém lembra quem é o vice-presidente, vice-governador ou vice-prefeito.

Quem sabe se propormos um torneio entre os maiores vice-campeões?
Ou uma eleição entre todos os "vice-alguma coisa" do Brasil?

A questão é definir quem é o verdadeiro campeão: o 1º colocado ou o vice?