terça-feira, 1 de julho de 2008

Bafômetro contra os solteiros

A nova “lei seca”, como está sendo popularmente chamada, está mudando os hábitos de consumo dos brasileiros. E também provocando uma mudança de cultura como o revezamento na hora de dirigir, aumento do uso de taxis e bares oferecendo serviço de transporte.
Mas essa lei tem um efeito muito maior do que o esperado. Perdemos muito mais do que referência de preço quando comparamos com algo dizendo “porra, isso dá pra comprar 20 cervejas”. Ela afeta drasticamente a vida dos solteiros. Vamos analisar os fatos:

• A tradicional cantada “Vamos sair pra beber alguma coisa?” acabou! Simplesmente perdeu o sentido. Ninguém convida uma mulher pra tomar uma Coca-cola;
• É o fim do romantismo: não vamos mais poder buscar uma mulher em casa, abrir a porta do carro pra ela, conversar no trajeto até o bar. Sair de taxi com alguém que você recém conheceu é muito chinelo e estranho (ônibus então, esquece). Ou vamos ter que combinar um ponto de encontro, o que parece insensível e exclui parte importante do processo;
• A bebida é “rota de fuga” para as pausas silenciosas na conversa. Honestamente, vamos parecer maníacos por hidratação parando toda hora pra beber água ou um suco;
• Homens e mulheres alcoolizados é sinônimo de nível de exigência mais baixo. Mulheres bonitas já são difíceis por natureza e vão continuar. Mas o que vai ser das barangas e dos feiosos com todo mundo sóbrio nas festas?;
• Essa lei é completamente contra a ética etílica, que permite as pessoas se arrependerem apenas no dia seguinte. Agora vamos começar o processo já arrependidos.

Acho que a economia em mortes no trânsito será compensada pelo acréscimo em suicídios e consumo de drogas. O que não dá pra entender é que se estão fazendo essa fiscalização agora, por que ela não podia ser feita sobre o limite anterior? A principal mudança não está na lei, está na aplicação.
Pra mim, essa lei não tem nada a ver com segurança nas estradas. É uma lei de controle de natalidade. As pessoas, menos sociáveis por falta de bebida, vão se conhecer menos, interagir menos, casar menos, fazer menos sexo e ter menos filhos. Em breve seremos um país de velhos. Parece radical demais, mas é uma análise inteiramente sóbria!