sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Anas

O nome delas é Ana.
Uma é aquela que vive deste lado do espelho.
A outra apenas a reflete.
Mas são duas Anas.
E aquela dentro do espelho não é a mesa de fora.
Sua vida é repetir eternamente cada detalhe da outra, só que de forma oposta.
E tão pouco de real pode dizer sobre aquela Ana que todos os dias se contempla e se detesta.
E mesmo assim, uma afeta a vida da outra, o humor, a autoestima.
Sem jamais conversar, sem jamais se tocar.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Virilidade torrada e moída

Cientistas americanos realizaram recentemente um estudo que afirma que o café reduz a probabilidade de câncer de próstata. O apresentador da Globo que noticiou o fato comentou: "Boa notícia para quem gosta de café!"

Cara, sério, boa notícia pra quem não quer ficar brocha!!!
É muito mais fácil um cara que não toma café passar a gostar depois disso do que um apreciador nato passar a tomar café em baldes achando que é Viagra.

Já to vendo a cena, o médico proctologista tirando a luva de borracha depois do exame e perguntando pro paciente: "Aceita um cafezinho?"

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Maldito Murphy

O despertador toca, eu deito sobre, abafo.
Dispara a quinta soneca e junto o desespero de estar acordando atrasado.
Engulo seco um pedaço de pão dormido e tomo uns goles d'água, deixo pra usar a escova de dentes do trabalho. Mas fácil perder tempo lá mas ser visto.

Ligo o carro, pego a perimetral. Aquela avenida na qual quem está de carro tem a impressão de que para de cem em cem metros numa sinaleira. E quem está a pé acha que não consegue atravessá-la nunca.

Um sinal verde desponta a minha frente. Pressinto o azar e já antecipo aquela pisada a mais no acelerador. Um pedestre sozinho domina a calçada às 8h da manhã, se aproxima do poste e aperta aquele botãozinho maldito da sinaleira de pedestres. Instantaneamente o sinal muda para o amarelo e não consigo passar. Mais alguns minutos de atraso na minha reunião.

Pela primeira vez na história aquele botão funcionou pra alguém. Porque quando estou a pé não serve pra nada, mas quando estou de carro funciona contra.

E eu que achava que esses botões eram o maior reallity show global, no qual os produtores filmam furtivamente a nossa falta de paciência e riem da crença de que aquilo realmente serve pra alguma coisa.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Fio Terra "A Fronteira Final"

O fio terra é o último tabu masculino. Até a homossexualidade já foi superada, hoje é uma coisa normal, uma opção de cada um. Isso acontece porque se você leva um dedo na bunda, ninguém sabe dizer o quanto deteriora sua masculinidade, se é veado ou não a pergunta fica no ar. Já se levar um pau no rabo, é veado, pronto! Isso ninguém discute.

A prima de uma amiga teve sua reputação atingida no colégio porque um carinha que ela fcou estava mentindo e espalhando ter comido ela. Aí eu disse "Bom, o estrago está feito, virgindade não é mais tabu pra ninguém, o melhor que você pode fazer é admitir e espalhar também que ele pediu um fio terra!" Vai acabar com a reputação dele.

Nunca levei um fio terra, não sei o que é isso, nem se ia curtir. Mas se fosse um pré-requisito pra comer uma gostosa, tenho certeza que muita gente iria pensar duas vezes.

Imagina, a partir dos 40 você vai pagar para um homem enfiar o dedo no seu cu todo ano e não vai comer ninguém em troca!

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

10 motivos "fúteis" para pedir demissão

1. Tenho medo do cara do RH.
2. O ar condicionado é muito quente.
3. Minha atividade intelectual não comporta trocar a água.
4. O banheiro não tem revistas.
5. Toda hora tem alguém tentando vender docinho ou sanduíche.
6. O chefe usa calça enfiada na bunda.
7. Precisa ter acima de 100 quilos pra ser socialmente aceito.
8. O motoboy se recusa a trabalhar com chuva.
9. Vivem roubando meus Toddynhos da geladeira.
10. Tem um cara que acha a Regina Cazé gostosa.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Novas expressões

Em épocas de novo acordo ortográfico em que a linguiça perdeu o trema e novas leis criam termos socialmente responsáveis nos quais um anão vira um “verticalmente desfavorecido”, cansei dessa papagaiada dita nas reuniões de trabalho. Sugiro trocarmos algumas expressões para enriquecermos a língua portuguesa:

• O fiel da balança (por) O honesto do quilograma.
• Na rua da amargura (por) No caminho público do azedume.
• Resumo da ópera (por) No compêndio da peça lírica.
• Trocando em miúdos (por) Substituindo em vísceras de frango.
• Dar nome aos bois (por) Nominando os Charoleses.
• Ter uma carta na manga (por) Estar de posse de um envelope numa deliciosa fruta.

E por aí vai.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Um simples ato complicado

Esses dias ao me deparar com uma campanha para doação de sangue, resolvi pesquisar um pouco mais sobre o assunto num site.
Longe de querer fazer apologia contra a doação, mas gostaria de saber qual o percentual de pessoas que não passam pela triagem.
Parece um ato tão simples para salvar vidas, mas é mais cheio de restrições do que imaginava.
Não é possível que todo estoque de sangue do mundo seja proveniente dos conventos das freiras celibatárias vegetarianas dos montes urais.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

A crônica do briefing natimorto

Havia um cliente com um grande sonho de engravidar. Sem muito dinheiro para recorrer a uma clínica de primeiro nível, encontrou depois de algum tempo um parceiro disposto a realizar seus desejos.
Ele prometeu fidelidade e mais um monte de coisas que só se diz a quem se conhece de longa data. Foram noites adentro de muito suor tentando manter a ereção à base de Nescafé.
E a cada ciclo se esperava ansiosamente a notícia. E o sonho começou a se tornar distante. Internamente, boatos sobre a infertilidade do parceiro tomavam forma e já se discutia sua relevância na relação.
Naquele cenário de incerteza a ansiedade começou a falar mais alto. E as cobranças começaram. A cada atraso na menstruação o cliente já solicitava nomes para a criança.
- Mas é menino ou menina?
- Não sei ainda se é gravidez, mas já vamos pensando em possibilidades.
O parceiro de prontidão já elaborava uma lista enorme. E aproveitando já começava a orçar o enxoval todo, escolhia as cores do quarto, do berço, das roupinhas.
- Calma, não tenho dinheiro pra tudo isso!
- Então a gente coloca o berço ao lado da cama até ter certeza, não tem problema!
Ufa, era apena a tireóide desregulada, nada de gravidez. Parece que o cliente resolveu comprar um cachorro!

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Quando todo dia é segunda-feira!

Sonhos são bizarros. Tem gente que sonha coisas concretas, tem gente que sonha devaneios, tem gente que sonha desejos.
Mas a pior coisa é sonhar com o trabalho. Porque quando o sonho acaba, o trabalho está recém começando. Você tem a sensação de estar aprisionado no “Dia da Marmota”.
Esses dias sonhei que estava fazendo quarenta anos de idade no emprego (tenho 29). Não sei o que era pior: estar fazendo 40 anos ou estar fazendo 40 anos na mesma empresa, com as mesmas pessoas, as mesmas paredes e quadros e, incrível, o mesmo vale-presente que sempre dão de aniversário.
Acordei deprimido. E ainda tinha uma segunda-feira inteira pela frente.

terça-feira, 2 de junho de 2009

A crônica da indecisão

Faz 3 meses que comecei a escrever um conto e ainda não terminei.
Há 2 meses iniciei um livro e parei na metade.
Comecei a ensaiar uma música no violão há 1 mês e ainda não aprendi.
Resolvi iniciar uma crônica.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Os trouxas do terceiro andar

Minha garagem próxima ao trabalho tem 15 pavimentos e uma centena de vagas por andar. Na maioria dos prédios com elevador, a cobertura é o lugar mais nobre. Obviamente essa lógica se inverte numa garagem, porque é simplesmente um saco descer 15 andares todos os dias sem vomitar.
Tem manobristas, mas depois de encontrar indícios de que o filme preferido deles é “Curtindo a Vida Adoidado” (se alguém lembra da cena dos manobristas “voando” pelas ruas com a Ferrari do pai de Cameron...) faço questão de levar meu carro até a vaga.
É claro que estaciono na cobertura, como bom pé-rapado que sou. Mas como ser um chinelão não me obriga usar o elevador de serviço, descer até o térreo é uma experiência de ascensão socioeconômica. E quando digo isso, acreditem, nos primeiros pisos dá pra deixar um bom salário por ano em mensalidade.
Sem apologia contra os mais afortunados, mas do décimo andar pra cima as pessoas são mais sociáveis. Dão bom dia ao entrar no elevador, fazem uso das tradicionais conversas de elevador, como “E esse calor, hein?”, “E a crise, será que passa?” ou o famoso “Será que chove?”.
Chegando no sétimo as atitudes já ficam mais frias ou formais. O bom dia nem sempre é tão animado, porque as pessoas são mais realistas, sabe, não é que nem pobre que sempre diz “Ta tudo bem!" A mãe morreu, tá cheio de dívidas, na merda, mas tá tudo bem, manda um abraço pra família.
No quinto andar então nem se fala, as pessoas já entram de óculos escuros pra não precisar fazer contato visual. Se esbarrarem em alguém no elevador já recuam o braço como se tivessem encostado num prato de feijão, sujou a roupa. Já vi uma senhora usar um lenço higiênico depois de apertar o térreo.
O terceiro andar é o ápice. Somadas a todas essas atitudes crescentes, as pessoas já entram no elevador em plena business talk, fazem questão de falar alto e entregar pequenos detalhes que sugerem ser algo importante e encerram a conversa com um “Já te ligo, estou chegando no escritório”.
Chega o térreo, a porta se abre e todo mundo vira gente de novo. Em alguns segundos misturados ao povo caminhando nas ruas, as diferenças ficam mais tênues, todos estão no mesmo andar.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Os valores da crise

Nunca o mundo foi tão democrático e intolerante ao mesmo tempo.
Nunca o conhecimento sobre nutrição foi tão grande e o número de obesos também.
Nunca a sustentabilidade esteve tão em alta e o aquecimento global tão acelerado.

Quais são os verdadeiros valores em crise?

quarta-feira, 18 de março de 2009

A alegoria da caverna de propaganda

Imagine agora uma agência, em forma de caverna, onde as pessoas que ali trabalham estão de costas para a entrada. Não conseguem ver nada na rua, apenas a sombra dos consumidores que caminham na calçada, que é projetada na parede interna da agência pelas lâmpadas de outras cavernas de propaganda.
E por não verem os consumidores, tomam essa sombra por verdade, especialmente porque provém da luz de outras cavernas maiores lá fora.
Logo eles, que deveriam viver no mundo das idéias, acabam vivendo no mundo das coisas sensíveis. E a hora que saem da caverna e retornam para casa, nem sombras restam para serem vistas, pois os consumidores já foram para cama.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Pontualmente atrasado

Chegar no horário para trabalhar é uma tarefa árdua. Especialmente agora que começa o estresse desse período chato do ano entre o carnaval e o próximo ano novo.
Tive um colega que todo dia tinha uma desculpa diferente para seu atraso. Mas o detalhe é que ele chegava pontualmente atrasado 30 minutos por motivos diferentes.
Ou seja, o cara tinha controle total sobre seu atraso. Tinha a metodologia matinal que permitiria chegar no horário se ele quisesse.
Não sei por que inventava desculpas para seu atraso, acho até que ninguém perceberia se ele não dissesse alguma coisa diferente todo dia. Porque tudo que se padroniza tende a passar mais despercebido.
Logo, mais importante do que chegar no horário é chegar sempre no mesmo horário, ou pontualmente atrasado. Assim você aumenta suas chances de não levar bronca.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Nonsense

Quem nunca foi surpreendido por uma frase ou comentário nonsense, que deixa a gente com "cara de ponto de interrogação". Eu tenho uma tia que é mestre nisso, como se a gente escutasse os pensamentos dela e não fosse necessário completar as frases. Garçons, recepcionistas e afins também são responsáveis por esse tipo de comentário que deixa a gente sem reação. Alguns exemplos que eu lembro:

• Meu irmão foi comer um Xis e quando pediu uma Coca com gelo o garçom disse: "Desculpe senhor, mas não trabalhamos com gelo!"
(como assim? o que se diz em resposta pra isso? Então me traz uma Coca bem quente!)

• Minha tia uma vez me disse: "Matheus, não quer dormir lá em casa hoje?", e eu "Não sei, tia", e ela "Porque eu ia fazer nuggets!"
(Meu, o que tem uma coisa a ver com a outra? Que papo de louco!)

• Mas a pior de todas, num restaurante na praia: "Tem casquinha de siri?", e o garçom "Não, mas tem sorvete de morango!"
(????)

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Metáforas da vida empresarial

Numa sala de aula relativamente cheia, digamos assim, umas 50 pessoas, é estatisticamentente normal que um percentual seja reprovado. Mas quando repetidamente mais de 60% é reprovado todos os anos, a direção do colégio começa a olhar com mais atenção para o professor ou para a metodologia de ensino adotada, quem sabe.
E o que mais tem é patrão achando que a turma é que não estuda!

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Distrações nos tempos do cólera

Começo de ano, reuniões e mais reuniões de avaliação e projetos. Eu fazendo um esforço sobre humano pra tirar algo de útil numa delas, quando vejo 2 assistentes fazendo anotações sem parar. Me fez lembrar dos tempos de colégio e algumas coisas que me deixavam apavorado (pelo menos a reunião pareceu passar mais rápido):

• Numa aula de química ou física ver alguém escrevendo folhas e folhas, e eu não entendendo absolutamente nada da aula, sequer sabia o que anotar;

• Quando as provas já vinham com um espaço predefinido para as respostas e com isso você já sabia quais questões exigiam mais desenvolvimento;

• Numa prova de matemática, por exemplo, tinha um puta espaço entre 2 questões e você só lembrava de uma formulazinha ridícula;

• Ou quando você fazia toda a questão com absoluta segurança e, ao terminá-la, orgulhoso, olhava pro lado e via que a resposta do colega ficou absurdamente maior que a sua.

Como os paradigmas mudam com o tempo. Troxa era quem sabia a matéria e estudava. Lembro uma vez um colega dizendo pra galera, sobre mim: "O Matheus é um merda, passa o ano todo bagunçando com a gente e no fim passa por média e deixa a gente lá em recuperação!"

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Reforma Ortográfica

Responda de acordo com a reforma ortográfica:

O que significa a frase "Trânsito intenso para Barra da Tijuca"?

(a) trânsito intenso sentido Barra;
(b) congestionamento na Barra;
(c) não entendi, mas não vou tentar ir pra Barra.