sexta-feira, 17 de abril de 2009

Os trouxas do terceiro andar

Minha garagem próxima ao trabalho tem 15 pavimentos e uma centena de vagas por andar. Na maioria dos prédios com elevador, a cobertura é o lugar mais nobre. Obviamente essa lógica se inverte numa garagem, porque é simplesmente um saco descer 15 andares todos os dias sem vomitar.
Tem manobristas, mas depois de encontrar indícios de que o filme preferido deles é “Curtindo a Vida Adoidado” (se alguém lembra da cena dos manobristas “voando” pelas ruas com a Ferrari do pai de Cameron...) faço questão de levar meu carro até a vaga.
É claro que estaciono na cobertura, como bom pé-rapado que sou. Mas como ser um chinelão não me obriga usar o elevador de serviço, descer até o térreo é uma experiência de ascensão socioeconômica. E quando digo isso, acreditem, nos primeiros pisos dá pra deixar um bom salário por ano em mensalidade.
Sem apologia contra os mais afortunados, mas do décimo andar pra cima as pessoas são mais sociáveis. Dão bom dia ao entrar no elevador, fazem uso das tradicionais conversas de elevador, como “E esse calor, hein?”, “E a crise, será que passa?” ou o famoso “Será que chove?”.
Chegando no sétimo as atitudes já ficam mais frias ou formais. O bom dia nem sempre é tão animado, porque as pessoas são mais realistas, sabe, não é que nem pobre que sempre diz “Ta tudo bem!" A mãe morreu, tá cheio de dívidas, na merda, mas tá tudo bem, manda um abraço pra família.
No quinto andar então nem se fala, as pessoas já entram de óculos escuros pra não precisar fazer contato visual. Se esbarrarem em alguém no elevador já recuam o braço como se tivessem encostado num prato de feijão, sujou a roupa. Já vi uma senhora usar um lenço higiênico depois de apertar o térreo.
O terceiro andar é o ápice. Somadas a todas essas atitudes crescentes, as pessoas já entram no elevador em plena business talk, fazem questão de falar alto e entregar pequenos detalhes que sugerem ser algo importante e encerram a conversa com um “Já te ligo, estou chegando no escritório”.
Chega o térreo, a porta se abre e todo mundo vira gente de novo. Em alguns segundos misturados ao povo caminhando nas ruas, as diferenças ficam mais tênues, todos estão no mesmo andar.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Os valores da crise

Nunca o mundo foi tão democrático e intolerante ao mesmo tempo.
Nunca o conhecimento sobre nutrição foi tão grande e o número de obesos também.
Nunca a sustentabilidade esteve tão em alta e o aquecimento global tão acelerado.

Quais são os verdadeiros valores em crise?